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WordPress 4.7: Regresso ao futuro (ou provavelmente a melhor versão de sempre)

Deixemos os paninhos quentes para outras alturas e vamos para os finalmente: esta é provavelmente a melhor versão de sempre do WordPress. Ponto. Depois de um ano com duas novas versões focadas na resolução de problemas e pequenos detalhes, eis que há muitas coisas novas para todos, seja um programador ou um utilizador iniciado. São tantas as novidades que permite reforçar a ideia do WordPress 4.7 “Vaughan” representar, em simultâneo, o fechar de um ciclo e o início de um novo.

Presente em mais de 27% de toda a Internet (dos sites de que se conhece o sistema de gestão de conteúdos), com um crescimento surpreendente nos últimos cinco anos, o WordPress prepara-se para novos desafios. E a versão 4.7 é o primeiro passo.

Teve 482 pessoas a contribuir, sendo a maior de sempre neste aspecto, com 205 a fazerem-no pela primeira vez.

Vamos a ela.

Muitas das novas funcionalidades visam melhorar o personalizador e fazer com que trocar de tema seja menos problemático.

O WordPress 4.7 traz um novo tema por omissão, o Twenty Seventeen.

Novo tema: Twenty Seventeen

O Twenty Seventeen mantém a linha essencial dos seus antecessores mas, desta vez, surge mais focado na criação de sites do estilo empresarial do que blogs. Apesar de não ter, à partida, significativas mudanças de estilo. Como, aliás, deve ser.

Novo tema no WordPress 4.7: Twenty Seventeen
Novo tema no WordPress 4.7: Twenty Seventeen

Conteúdo inicial

Esta é uma importante novidade, sobretudo para quem está a começar. A partir desta versão, uma instalação inicial de um tema disponível no directório do wordpress.org irá incluir um conteúdo inicial para ajudar os utilizadores a dar os primeiros passos. Nesta fase nem todos os temas no directório estarão já a suportar esta possibilidade mas o seu número irá, por certo, crescer.

O objectivo é dar um ponto de partida a muitos utilizadores iniciados, que depois de instalar o WordPress (muitas vezes através de scripst automáticos como o Softaculous e similares) e activar um tema não tinham referências para construir o seu site. A partir de agora passam a contar com alguma ajuda.

No fundo, os temas do wordpress.org replicam, de forma mais simples e leve, aquilo que já acontece com muitos temas premium, que oferecem aos utilizadores a importação do conteúdo de demonstração.

Para já esta possibilidade está disponível apenas para instalações WordPress novas.

Personalizar mais completo

O personalizador é uma das áreas que regista mais novidades nesta versão. Tem quatro novos projectos de funcionalidades implementados e mais de 90 tickets fechados. Não espanta, uma vez que foi apontada como a funcionalidade que faria o WordPress tornar-se ainda mais simples e amigável para os utilizadores, em particular os menos dotados de conhecimentos técnicos.

Com a nova versão, a área de personalizar ganha os atalhos de edição. São identificados por um símbolo de um lápis.

Até agora, para alterar algo num tema integrado no personalizador, era necessário passear pelos seus menus até encontrar o separador com as opções desejadas. Nalguns casos seria simples mas noutros era uma tarefa bem mais difícil, dependendo da complexidade do tema.

Com os atalhos de edição (Edit Shortcuts) basta clicar no ícone do lápis e este irá, de imediato, abrir o menu correspondente no personalizador. Esta era uma funcionalidade que já existia no wordpress(ponto)com.

A preocupação da equipa do core terá sido a de fazer com que esta área seja mais amigável para os utilizadores iniciados.

É importante referir que a implementação destes atalhos está apenas disponível em temas que os suportem. Logo, depende dos autores de temas inserirem e activarem esta função nos seus produtos. Na maioria dos casos não estará disponível no imediato mas a sua adopção irá crescer ao longo do tempo.

Atalhos de edição no personalizador do WordPress
Atalhos de edição no personalizador do WordPress

Passa a ser possível experimentar a troca de temas de forma mais simples dentro do personalizador. As alterações que experimentares são guardadas num ‘conjunto de alterações’ (que é um novo tipo de conteúdo, customize_changeset). Abre ainda a porta a pré-visualizações Ajax e chamadas REST API para apps móveis.

Passa a ser possível criar páginas no momento da construção de menus e na definição de uma página estática para a ‘home’.

Criar página no personalizador ao fazer menus
Criar página no personalizador ao fazer menus

A navegação está mais rápida e fluída.

Pré-visualizar CSS ao vivo no personalizador

Com o WordPress 4.7 chega uma nova caixa de CSS ao personalizador. Uma das suas principais funcionalidades é permitir que pré-visualize as alterações em tempo real, sem mexer no site ao vivo. Se gostar, basta guardar e está feito.

Passa a ser possível fazer alterações de CSS no personalizador
Passa a ser possível fazer alterações de CSS no personalizador

Significa isto que já podes deixar de usar o tema dependente (child theme)? Sim e não. Sim, se as alterações que pretendes realizar forem uns tantos detalhes de CSS. Não, se aquilo que pretendes é mais que isso e passa por alterar funções e aplicar filtros e hooks.

Vídeo no cabeçalho

Se o teu sonho foi sempre inserir um vídeo no cabeçalho do site, temos boas notícias. Já o podes fazer com o 4.7. Desde que o teu tema suporte esta função. Através do personalizador podes carregar o ficheiro de vídeo ou apenas introduzir um URL do YouTube.

Podes colocar vídeo no cabeçalho
Podes colocar vídeo no cabeçalho

Muda a língua da tua área de administração

É possível mudar a língua da tua área de administração. O site pode estar, por exemplo, em português mas podes preferir usar o inglês para a área de gestão. Agora já é possível. É útil também num site que tem pessoas falantes de várias línguas com acesso à administração. O João pode usar português na área de admin mas o John pode ter o inglês e o Jean o francês. Tudo no mesmo site. A língua em causa tem é de estar instalada no WordPress.

Muda a língua da tua área de administração
Muda a língua da tua área de administração

Editor em mudanças

O futuro vai trazer mais mudanças ao editor do WordPress. Em particular em 2017. Para já, há algumas relevantes. Os botões Sublinhado e Justificar deixa de existir e o selector de parágrafo e cabeçalhos sobe para a linha superior.

Alterações no editor do WordPress
Descobre as diferenças no editor do WordPress

Mudanças na biblioteca de multimédia

Passa a ser viável pré-visualizar ficheiros PDF na biblioteca de multimédia, em vez do ícone de PDF. Mas para isso é preciso que o servidor de alojamento do site suporte Imagick, ImageMagick e Ghostscript. Caso contrário, o WordPress guarda o documento mas não apresenta a imagem de pré-visualização.

Mais. Até aqui, os utilizadores que carregavam um ficheiro de média e depois alterassem o nome não poderiam procura-lo mais tarde pelo nome do ficheiro. Quatro anos depois de um ticket criado para isso, finalmente passa a ser possível.

Até agora se um utilizador não colocasse o texto alternativo de uma imagem, o WordPress assumia o nome do ficheiro como recurso. Isso deixa de ocorrer a partir de agora. É uma medida que pretende melhorar a acessibilidade e apoiar as pessoas que usam ecrãs com leitura. Desta forma, é importante que faças aquilo que já devias estar a fazer: inserir um texto alternativo e uma descrição ou legenda na imagem. Esta mudança aplica-se apenas ao conteúdo criado a partir do 4.7. O que está para trás não sofre impacto.

Aplica texto alternativo nas imagens
Introduz as informações da imagem

Tipos de conteúdo e conteúdo protegido

Os programadores podem definir agora modelos específicos para tipos de conteúdo individuais, em alternativa a páginas.

Os utilizadores que protejam os seus artigos com senhas podem agora usar palavras com 255 caracteres, bem mais que os 20 permitidos até agora.

E para os programadores, nada, nada, nada?

Depois de beneficiados por muitas novidades nas duas versões anteriores, os programadores não são esquecidos nesta. Há muitas mãos cheias de alterações. Há a chegada dos endpoints de conteúdo da REST API ao core, para fazer companhia à infraestrutura. Há mudanças de locale. Há mudanças na wp_taxonomy e nos ‘whitespaces’ criados para a navegação e muito mais. Sem esquecer labels para tipos de conteúdo e mexidas na área dos comentários, além de “uma nova geração de filtros e hooks“. E novidades para os autores de temas? Também há.

Enfim, ao todo os programadores têm 173 melhoramentos e novas funcionalidades com que se entreter.

O multisite foi esquecido? Não, também há coisinhas.

Conclusão

Há muitas e boas razões para fazer a actualização para o WordPress 4.7. Temos um sistema de gestão de conteúdos (CMS) mais amigável, simples e eficiente. Com objectivos bem concretos de oferecer a cana aos utilizadores e dizer como se coloca o isco. A parte do pescar cabe a cada um de nós.

É também um CMS que reforça a preocupação com a acessibilidade.

Agora é a tua vez. Vai lá actualizar o WordPress mas só depois de cumprires as regras.

Como de costume, há alguns cuidados a ter:

  • Faz cópia de segurança do site, incluindo ficheiros e base de dados, para um local exterior ao teu alojamento (pode ser o teu computador local, pode ser um qualquer espaço numa ‘nuvem’;
  • Não faças a actualização à pressa. Reserva uns minutos para actualizar, verificar se está tudo bem e passear pelas novidades;
  • Como é habitual em actualizações deste tipo são de esperar, em breve, novas versões de temas e de muitos plugins. Mantém-te atento e actualiza. Ter o software actualizado é um ponto importante para a segurança do site.

E agora vai lá democratizar a publicação de conteúdos.

 

6 pensamentos sobre “WordPress 4.7: Regresso ao futuro (ou provavelmente a melhor versão de sempre)

  1. A nova funcionalidade que permite previsualizar ficheiros PDF na galeria (e que também irá criar uma miniatura da primeira página do ficheiro) será uma das novidades mais fantásticas desta versão.
    Substituirá o plugin “PDF Image Generator”.

  2. o que eu gostava mesmo de ver no WordPress era a possibilidade de alojar a biblioteca numa nuvem, como a Dropbox, MEODrive etc, mas continuar a funcionar com a bibilioteca normalmente, ou seja, ver as miniaturas arrastar novas imagens para as carregar na biblioteca etc…
    poupava muito espaço no servidro de alojamento

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