Drupal? Sim.

DrupalDay Lisboa 2014Não tenho a mais pequena dúvida que a discussão mais desinteressante e irrelevante ao cimo da terra, é saber se Drupal é melhor que WordPress ou vice-versa (em que “Drupal” e “WordPress” são apenas exemplos; a consideração vale para qualquer outro sistema de gestão de conteúdos open-source).

Não há vez que não leia um desses inúmeros debates em que não me ocorra o mais óbvio:

Porque é que estamos todos a enervar-nos à volta de uma pergunta que é, para todos os efeitos, impossível de responder? Isto sem falar do facto que a coisa descamba, sem falha, para argumentações infantis e de fan-boy, que em nada abonam a favor da imagem profissional que um defensor do open-source deveria transmitir.

Não é suficientemente claro que o nosso problema profissional é muito mais com CMSs de código fechado e proprietários, geradores de sites “faça-você-mesmo-em-5-minutos”, e empresas web que desenvolvem o seu “próprio sistema” (e que desaparecem do mapa passados poucos anos)? Que aquilo que nos devia verdadeiramente chocar é o facto de potenciais clientes escolherem sistemas de código fechado, por acharem que uma plataforma open-source “é gratuita, deve ser suspeita e pouco profissional”? Que ao contribuirmos todos para estabelecer uma solução open-source como uma opção robusta, viável, com bom desempenho e preparada para qualquer futuro, saímos todos a ganhar?

Parece-me que estamos por vezes a investir demasiado tempo e esforço a defender-nos uns dos outros, em vez de trabalharmos em conjunto; enquanto o open-source continuar com estes problemas de percepção junto dos clientes, qualquer disputa interna (sim, usei essa palavra) é apenas mais um favor que fazemos aos dinossauros e aos incompetentes, no desenvolvimento de soluções on-line.

Nesse espírito, gostava de, por um lado, alertar toda a Comunidade Portuguesa de WordPress para o DrupalDay 2014, a 21 de Junho, em Lisboa (atenção, não falei com ninguém de lá, nem tão pouco faço ideia se este artigo é sequer bem-vindo). Pelo que me toca, faço tenções de assistir, curioso que estou para conhecer o que se faz com Drupal em Portugal e para abrir uma porta para um eventual diálogo futuro, nos moldes que for.

Por outro lado, gostava de deixar esta ideia escrita à Comunidade Portuguesa de Drupal (e a todas as outras), para que fique desde já claro que são muitíssimo bem-vindos a qualquer meetup, WordCamp ou qualquer outra actividade promovida por nós. Se calhar é um começo.

Passámos tempo de mais de costas voltadas, está na hora de acabar com isso. Só temos todos a ganhar.

7 pensamentos sobre “Drupal? Sim.

  1. Gosto muito da atitude demonstrada e assino por baixo Zé.
    Acredito que toda a comunidade tem mais a ganhar se fizermos pontes em vez de nos preocuparmos com as fronteiras.

    Obrigado pelo desabafo

  2. Eu sou apologista de wordpress embora ja tenha trabalhado com drupal. Se o wordpress melhorar a facilidade de criação de dados relacionais sem necessidade dw efectuar mais queries que os que realmente são necessarios conseguirá sem duvida nenhuma ganhar bons pontos em relação a plataformas fechadas

  3. Viva!
    E mais uma vez, em nome da comunidade Drupal, muito obrigado pelo teu artigo.
    Nós sentimos o mesmo na comunidade Drupal:
    Já é difícil derrubar preconceitos e a desinformação acerca do Software Livre quanto mais andarmos à volta do que é essencial. A beleza do OpenSource passa por três grandes vector a meu ver: Comunidade, Criatividade e Liberdade de Opção. Já uma vez sugeri fazer-mos um encontro conjunto entre comunidades e mantém-se de pé o convite.

    Grande Abraço e via o Software Livre! 🙂

  4. Sou Drupaleiro, assisti ao vosso evento Lisboa 2011 (creio). Evento de alto nível e boa adesão, pessoal muito simpático e prestável. Por razões diversas não pude estar presente nas outras edições mas tenho acompanhado à distância. Este post é uma excelente iniciativa do Zé Fontainhas

  5. Zé, o artigo é bem vindo (e isto dito por quem está nos dois lados). Obrigado. Concordo contigo a 100%. E estão todos convidados. Eu acho que todos temos a ganhar em “ver o que o outro lado faz” e “como o faz”.

    Nos meetups do WordPress têm ido pessoas que estão dos dois lados também, embora eu me tenha baldado um bocado ultimamente ‒ nos dois lados 🙂

  6. Ah! E estão convidados a propor sessões em temas que são transversais a qualquer projecto LAMP; ambientes de trabalho integrados, optimizações de servidor, etc, etc, etc.

    Porque no fundo, trabalhando com WordPress ou Drupal, há questões que nos são comuns e nas quais temos todos muito ainda a prender uns com os outros.

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